quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Rejuvenescimento: Sindicância vai investigar médicos

Médicos cearenses receitam hormônios para retardar o envelhecimento; prática é condenada pelo CFM
As substâncias que os médicos alegam ser rejuvenescedoras podem trazer riscos à saúde e causar uma série de doenças, como hipertireoidismo. Já a testosterona em excesso pode até gerar câncer
 De acordo com o vice-presidente da entidade, Lúcio Flávio Gonzaga Silva, se houver indícios de irregularidades, aí sim, será aberto processo, cabendo, em caso de condenação, punições que vão desde advertência confidencial até a cassação.
"O Cremec acompanha o CFM em seu posicionamento sobre o caso e está preocupada com a população que, muitas vezes, não tem informação sobre o uso inadequado de hormônios", destaca, explicando que o problema é o desequilíbrio hormonal gerado e suas consequências, que vão de diabetes até câncer.
Silva reafirma que, de acordo com o Parecer do CFM nº 29/12, não se reconhece no Brasil a especialidade médica de antienvelhecimento, bem como não há registros na União Europeia e nos Estados Unidos.
O parece do Conselho, salienta o vice-presidente, conclui que a modulação hormonal bioidêntica "vem a ser nada mais do que o uso de hormônio fabricado em laboratório, manipulado em farmácia magistral e prescrito com finalidade terapêutica não sustentável cientificamente e, desse modo, não aprovada pelas sociedades medicas acreditadas". O parecer acrescenta que, no Brasil, pelo menos cinco médicos foram cassados nos últimos quatro anos por usar técnicas sem comprovação científica.
Reportagem
No último domingo (5), o "Fantástico" exibiu reportagem que mostrava os "doutores do antienvelhecimento", médicos que oferecem tratamentos hormonais que seriam rejuvenescedores.
O programa mostra consulta realizada por um dos médicos em questão. Um paciente de 51 anos e 90 quilos reclama de hipertensão e cansaço crônico. Sem qualquer exame de laboratório, o profissional receita o primeiro hormônio: "testosterona, que protege o coração dele".
A seguir, a reportagem destaca uma pesquisa com quase quatro mil homens idosos na Austrália, publicada na semana passada, que concluiu que pacientes com índices elevados de testosterona livre, a responsável pela atuação do hormônio no organismo, têm risco 9% maior de desenvolver câncer de próstata.
Também estão entre as substâncias indicadas pelos médicos a melatonina, o cortisol, o hormônio do crescimento, progesterona e testosterona.
Representantes da Sociedade Brasileira de Geriatria analisaram a conduta dos doutores antienvelhecimento. "Não se pode prescrever nenhum hormônio sem ter o teste de dosagem deste", explica a entidade. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia no Ceará aguarda posicionamento da entidade nacional para se pronunciar.
Na segunda-feira (6), o CFM divulgou parecer condenado a prática. O Conselho concluiu que a falta de evidências científicas e os riscos e malefícios que trazem à saúde não permitem o uso de terapias hormonais contra o envelhecimento.
"Os trabalhos reunidos até o momento mostram que, em pessoas saudáveis, o uso dos hormônios aumenta o risco de uma série de doenças", afirmou a geriatra Maria do Carmo Lencastro, integrante da Câmara Técnica do CFM.
Perigos
No caso do hormônio da tireoide, por exemplo, o uso em pessoas saudáveis pode levar ao hipertireoidismo. Já o hormônio de crescimento, quando em grandes quantidades no organismo, pode levar a problemas cardiovasculares. "O uso desses hormônios provoca uma sobrecarga no organismo, e, em consequência, um desajuste hormonal", ressaltou a geriatra.
Esta é a segunda recomendação feita pelo CFM relacionada a terapias que prometem retardar o envelhecimento. Em 2010, resolução do colegiado proibiu a indicação de terapia ortomolecular por não haver eficácia comprovada.
A equipe de reportagem tentou contatar os médicos Wagner Gonzaga e Ítalo Rachid, mas não foi atendida.

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