quarta-feira, 14 de março de 2012

Crise política: PR rompe com Dilma no Senado

Os parlamentares afirmam que após nove meses de insatisfação a única saída seria ir para a oposição
Os senadores do PR decidiram ontem encerrar as negociações com o Planalto para indicar o ministro dos Transportes e, imediatamente, romperam com o governo passando a ser oposição.
O PR tem 7 dos 81 senadores e, desde que a presidente Dilma Rousseff (PT) assumiu, no ano passado, votou alinhado com o Planalto. A crise entre o partido e Dilma começou com a queda de Alfredo Nascimento no Ministério dos Transportes, em julho passado.
A presidente decidiu manter o secretário-executivo, Paulo Passos, na titularidade da pasta e delegou à ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) a negociação com o PR sobre a indicação de um novo nome do partido. Durante o período de negociações, o líder do PR, senador Blairo Maggi (MT), reuniu-se dezenas de vezes nos últimos meses com Dilma e Ideli para tentar buscar entendimento. Chegou a ser convidado para o cargo, mas não aceitou.
“Fui lá (Palácio do Planalto) hoje. Não tinha definição. Eu não quero mais negociar porque o negócio não desenvolve. Então resolvemos que estamos fora da discussão, e isso significa que estamos na oposição”, disse Maggi no fim da tarde de ontem.
Câmara
Na Câmara, o PR tem 40 deputados, que deverão seguir a decisão dos senadores. A saída do PR, primeiro do governo e, agora, da linha independente que vinha seguindo desde a queda de Nascimento, piora a situação de Dilma no Congresso. A presidente enfrenta descontentamentos dos aliados. O rompimento do PR acontece um dia após o governo oficializar a troca dos líderes da Câmara e do Senado.
O novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), até tentou conciliar, estendendo a bandeira branca a seu maior adversário político no Amazonas, o presidente nacional do PR, senador Alfredo Nascimento (AM). Depois de um cumprimento cordial no plenário, quando cochichou no ouvido do conterrâneo que precisará dele em sua nova missão,
Braga ainda fez questão de telefonar a Nascimento ontem cedo.
Por um momento, o líder chegou a acreditar que o gesto de boa vontade facilitaria seu diálogo junto ao PR. Afinal, o próprio Nascimento fizera questão de retribuir o afago publicamente, durante a reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, presidida por Braga pela última vez ontem.
O presidente do PR disse que não estava disposto a criar qualquer dificuldade ao trabalho de Braga na liderança, seja como senador ou presidente de partido. Poucas horas mais tarde, no entanto, ajudou a comandar a reunião da bancada que decidiu pelo rompimento.
Esclarecendo que a decisão nada tinha a ver com a escolha do novo líder, e sim com nove meses de insatisfações acumuladas. O Planalto ainda trabalha para que o rompimento não se alastre para a Câmara.
Ministra pede que haja uma ´transição harmônica´
 A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, pediu uma "transição harmônica" na mudança de líderes da base aliada no Congresso. A presidente Dilma Rousseff (PT) trocou na última terça-feira Cândido Vaccarezza (PT-SP) por Arlindo Chinaglia (PT-SP) na liderança do Governo na Câmara e Romero Jucá (PMDB-RR) por Eduardo Braga (PMDB-AM) no comando governista no Senado. As trocas foram mal recebidas por grande parte da base.
"Esperamos que essa transição continue harmônica como tem sido a relação do governo com a base até agora. Nós vamos continuar votando matérias importantes. A base nunca nos faltou", disse.
Arlindo Chinaglia disse ontem que não vê crise nas relações entre o governo e a base aliada, e que considera "normal" as tensões entre o Palácio do Planalto e a coalizão de partidos que apoiam a presidente Dilma.
Crítica
O ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) alertou a presidente Dilma sobre a necessidade de dialogar com o Congresso. Collor disse que o Planalto precisa "ouvir a Casa do lado". "Digo isso com a experiência de quem, exercendo a Presidência da República, desconheceu a importância da Câmara e do Senado. O resultado deste afastamento do Legislativo Brasileiro redundou no meu impeachment".
Ele disse esperar que a troca de líderes não "desestabilize" a base de apoio de Dilma no Congresso. "Eu não vejo com tanta tranquilidade, como alguns estão vendo, essa transição e essa mudança de lideranças. A base do governo está sentindo um gosto de um certo azedume", disse.

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