terça-feira, 9 de junho de 2009

GASOLINA CHEGA A 2,95 EM MUNICIPIOS DA ZONA NORTE

Nos municípios do Interior, há pequena variação de preços de combustíveis entre um posto e outro
Em Sobral a pequena diferença, de apenas R$ 0,03, entre um posto de combustível e outro faz o consumidor acreditar que esteja existindo o chamado “cartel” nos postos de combustíveis. Nas dezenas de postos espalhados pela cidade, o preço do litro da gasolina comum varia de R$ 2,75 a R$ 2,79. Porém, em Tianguá, a 75km de Sobral, o preço do combustível é considerado o mais caro da região. O litro da gasolina comum é vendido a R$ 2,95, enquanto que álcool chega custar R$ 2,10.
Outra dificuldade encontrada pelo consumidor em Tianguá é com relação ao preço que é cobrado no pagamento à vista e a prazo. No Posto Catatau, que fica na BR-222, o preço da gasolina comum para pagamento à vista custa R$ 2,79. “Se for a prazo o valor sobe para R$ 2,959”, informou o funcionário do posto, Luis Aurivan de Vasconcelos. “Nós questionamos bastante sobre o preço do produto na bomba. Ubajara, que recebe da mesma distribuidora, vende a gasolina comum com preço inferior ao daqui de Tianguá”, disse a auxiliar de escritório Elane Rodrigues, que afirma ter pago pelo produto o preço R$ 2,90 na bomba.
Já nas dezenas de postos espalhados por Sobral, o preço do litro da gasolina comum varia de R$ 2,75 a R$ 2,79, enquanto o preço da gasolina aditivadavaria entre R$ 2,79 e R$ 2,82. Já o álcool é vendido na faixa de R$ 1,99, o mais barato, e R$ 2,09, o mais caro. O preço do diesel neste município é em torno de R$ 2,17. Em Sobral, só existe um posto que fornece gás natural. O preço cobrado pelo metro cúbico é R$ 2,20.
“Além do preço, a qualidade. Eu tive problema com o meu carro neste fim de semana, após abastecer em um posto. Tem que haver uma fiscalização não somente nos preços,mas também na qualidade do produto”, reclamava o motorista Welingon Soares.
Os donos dos postos de combustíveis, que preferem não se identificar, se justificam com relação ao preço que é cobrado na bomba. Eles alegam que a distância entre Sobral e a distribuidora seria um dos motivos, além das péssimas condições das estradas, que coloca em risco o transporte do produto.
Entre algumas cidades da região norte, o preço não diferencia tanto. Em Santana do Acaraú, distante 42km de Sobral, o preço do litro da gasolina comum custa R$ 2,75. Já na gasolina aditivada o valor cobrado é de R$ 2,79, O álcool é vendido ao preço de R$ 1,88.
Triângulo Crajubar
A variação de preços de combustíveis no Cariri, principalmente nas cidades do triângulo Crajubar (municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha), está em até R$ 0,21, no caso da gasolina. Consumidores reclamam, além dos altos preços praticados na região, da oscilação entre uma cidade e outra, por conta da proximidade, em média de 12 quilômetros. Os donos de postos justificam os altos preços em função da cultura da compra a prazo de combustíveis na região, além da alta carga tributária. Enquanto isso, na divisa do Ceará com a Paraíba, em cerca de duas horas de viagem, os motoristas podem adquirir gasolina até cerca de R$ 0,30 abaixo do valor do valor praticado na região.
Segundo o motorista Jean de Carvalho, a região acaba sendo um local onde a prática dos preços é extorsiva. Ele mora em Várzea Alegre e diz, que naquele município, o óleo diesel pode ser comprado por até R$ 2,85, enquanto no Cariri, em média, o valor chega a R$ 2,21. O motociclista Ícaro Araújo afirma que a variação de preços na região não tem sentido. Ele abastece seu veículo em Crato, onde há postos que vendem a gasolina a R$ 2,55. No caso de Barbalha, há postos onde o valor chega a R$ 2,76.
Conforme o frentista Francisco Raimundo da Silva, funcionário de posto em Crato, os preços da gasolina comum de R$ 2,55, diesel R$ 2,08 e álcool de R$ 1,79, se justificam porque o estabelecimento vende apenas à vista. Há seis meses, os valores continuam invariáveis. Já o empresário Fernando Lacerda, de Crato, afirma que uma das razões para os preços da gasolina comum de R$ 2,72, álcool 1,89 e diesel R$ 2,15 estão associados principalmente às vendas a prazo, que em seu estabelecimento chegam em torno de R$ 70%.
A liberdade no preço de combustíveis, determinada pelo livre mercado, é confundida com a venda a qualquer preço, que pode esconder a prática abusiva ao consumidor. Limoeiro do Norte, na região jaguaribana, tem um dos mais caros litros de gasolina do Ceará. “Se não for a mais cara do Estado. É um absurdo isso aqui e os preços são iguais ou muito parecidos”, afirma o motorista Jonas Ferreira.
Limoeiro do Norte tem nove postos e a gasolina comum tem variado somente entre R$ 2,78 e R$ 2,79. Um frentista, que pediu para não ser identificado, diz que muitos motoristas, principalmente vindos de outras cidades, reclamam do preço da gasolina da cidade, que muitos já consideram, pelo menos, a mais cara do Vale do Jaguaribe. No “Posto Limoeiro”, a gasolina comum foi encontrada a R$ 2,79, a aditivada com o mesmo preço. O litro do diesel está, em média, a R$ 2,13 e o do álcool a R$ 1,99.
O empresário Gurgel Lobo, dono do posto, diz que “o preço é livre, cada dono dá seu preço”, quando perguntado sobre o porquê de o município ter valores maiores que em outras cidades da região – em Jaguaribe, 100km mais distante, é possível encontrar o litro da gasolina comum a R$ 2,71.
O empresário Antônio Glauber, dono do Posto Bezerra e Filho e do Posto Petrobras, em Limoeiro, diz que o valor do combustível vai depender da bandeira. No caso dele, é vendido combustível das bandeiras Shell e Petrobras. “A Shell normalmente tem um valor maior”, afirma, acrescentando que “temos o preço de bomba, mas também tem o diferenciado, para quem compra em grande quantidade, no caso das firmas. Não temos a guerra dos preços em Fortaleza que, ao meu ver, pode beneficiar o cliente, mas pode deixar o dono sem condições de venda”, afirma o empresário, argumentando com a “alta carga de impostos” que precisam pagar para manter a atividade.
MERCADO FECHADO
Em Quixadá o consumidor fica sem opção de menor preço.
Sem escolha. Quem possui qualquer veículo movido a combustível derivado do petróleo ou extraído da cana-de-açúcar, praticamente, não tem opção nas maiores cidades da região Centro do Estado. O jeito é optar pelo posto mais próximo. A diferença de preço entre uma cidade e outra não compensa, a não ser para quem viaja com freqüência à Capital, onde se consegue economizar até R$ 0,50 no litro.
Em Quixadá, a diferença é de apenas de R$ 0,01 no preço da gasolina comum, vendida a R$ 2,73 no Posto Monólitos e R$ 2,72 no Bandeirantes. De bandeiras diferentes, ficam a um quarteirão de distância, na mesma avenida. Já o diesel e o álcool são comercializados nos dois postos pelo mesmo valor: R$ 2,14 e R$ 1,99, respectivamente. Quanto ao gás natural, não há nenhuma opção. O Belas Artes é o único da região.
Segundo proprietários e gerentes, que preferem não se identificar, não há como concorrerem ou disponibilizarem mais opções para os clientes. A diferença do valor ofertado na Capital está no frete. Quanto mais distante das distribuidoras mais caro. Mesmo assim, a redução é muito pouca. Considerando a distância de Boa Viagem para Fortaleza, a gasolina é vendida ali a R$ 2,70 mas, como nos demais postos da região, mesmo distantes cerca de 100km, o álcool é negociado ao mesmo preço, R$ 1,99. Apenas no Alvorada, em Quixeramobim, custa R$ 0,01 a mais.
Os empresários justificam que o preço é tabelado no fornecedor. Quem reduz tem que tirar do próprio bolso. Preferem apostar na conquista do cliente através de uma melhor atenção. Um cafezinho ou um chazinho, o que preferirem, tem sempre bem quentinho. A hospitalidade é sempre por conta da casa. Reconhecem que alguém está lucrando muito, mas asseguram que não são os donos de postos.
Parte dos motoristas atribui os elevados preços aos empresários do setor. Outros, culpam os impostos e o jogo internacional de cotação dos barris. Embora o País já possua autonomia para dar suporte à demanda nacional, e a moeda seja o real, tudo que se produz no Brasil é convertido em dólar. “Não é a toa que estão tentando impedir a realização da CPI da Petrobras. Enquanto a gasolina entra por uma torneira, o nosso dinheiro sai por outra”, comenta o caminhoneiro Fausto Pedrosa. Ele estava retornado da usina de Biodiesel de Quixadá para o Paraná, sua terra natal.
Menor preço
Na região Centro-Sul, Iguatu é onde se pratica o menor preço na venda da gasolina, álcool e de óleo diesel. Dentre os 11 postos de abastecimento de combustível, dois praticam de forma igual menor preço e disputam com os outros o mercado local. O preço à vista do litro da gasolina varia entre R$ 2,39 e R$ 2,59. Em comparação com os preços praticados em janeiro passado, houve uma queda média de R$ 0,20.
O gás natural ainda não é comercializado nesta região. O litro do álcool varia entre R$ 1,79 e R$ 1,89 e do diesel, R$ 2,20 a R$ 2,26. A diferença de preço beneficia os consumidores que abastecem à vista. “Temos de procurar o posto que vende mais barato”, diz o comerciário Fernando Souza. “No fim do mês, a diferença é significativa”, reconhece.
De olho na qualidade e no preço do combustível, o representante comercial, Lindovan Pereira, diz que procura abastecer nos postos que oferecem menor valor. “Temos de procurar o local mais barato, mas não podemos esquecer de ter cuidado com a qualidade do produto”, observa. “Por isso é importante que ocorra nas cidades do Interior fiscalização mais permanente”.
Quem abastece a prazo não se preocupa com a diferença de centavos praticada entre os postos. O que prevalece é a comodidade e a relação de confiança existente entre o consumidor e o vendedor. A gasolina é o tipo de combustível mais consumido e o preço do litro na maioria dos postos é praticado a R$ 2,49. O mercado está concorrido e muitos donos de postos alegam queda no lucro.
Os consumidores têm o direito de exigir o teste de qualidade, mas na prática ninguém solicita. “Trabalho há cinco anos como bombeiro, mas até hoje ninguém solicitou o teste”, admite Francisco Oliveira. O caminhoneiro Edimar Macedo diz que, em relação ao diesel, o preço tem variação dentro da própria região. “Em Várzea Alegre, encontrei menor preço”, disse. “A diferença, às vezes, chega a cinco centavos, mas para quem viaja o ano todo isso é significativo”.

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