segunda-feira, 19 de setembro de 2011

NAS NAÇÕES UNIDAS: Dilma irá apoiar Estado palestino em discurso

A presidente também deverá se reunir com autoridades para debater temas como a crise econômica mundial

Durante o discurso que abrirá a 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na próxima quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff deverá ressaltar o apoio do Brasil ao reconhecimento do Estado Palestino. Ainda que as declarações em prol dos palestinos possam gerar desconforto a países que são contra a iniciativa, a presidente pretende reforçar a posição de líder internacional que o Brasil tem procurado.
Na ocasião, Dilma deverá mencionar também a posição favorável do governo brasileiro em relação ao Conselho Nacional de Transição da Líbia, os efeitos da crise econômica internacional, a preocupação com os conflitos nos países muçulmanos e a necessidade de adotar medidas que levem ao desenvolvimento sustentável, além defender uma reforma do Conselho de Segurança da ONU.
A situação palestina não será um tema central na assembleia, mas se encaixa em um dos tópicos preferenciais do Brasil - a mudança da geopolítica mundial, a necessidade de reforma da governança global e a abertura de espaço para novos atores internacionais.
Com o apoio aos palestinos, o Brasil se junta a cerca de 130 países - número que supera o mínimo necessário de dois terços das 193 nações membros da ONU para que o território seja reconhecido oficialmente.
Polêmica
O tema divide opiniões na comunidade internacional. O governo de Israel é contrário à proposta porque alega que os palestinos querem dividir a cidade de Jerusalém, algo inaceitável para os israelenses.
O presidente norte-americano Barack Obama já deixou claro que seu país deverá barrar o pedido palestino de reconhecimento no Conselho de Segurança da ONU, onde os Estados Unidos detém poder de veto.
Tanto americanos quanto europeus despacharam enviados especiais à região, na última semana, para conversar com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, mas a pressão diplomática não alterou os planos dos palestinos.
Para ex-premiê britânico Tony Blair, que participa das negociações, a prioridade é chegar a um esboço de documento que admita as aspirações palestinas, mas que também mantenha as duas partes atreladas a um compromisso de continuar as negociações de paz.
Entre pontos que preocupam a comunidade internacional estão a decisão sobre a capital de um potencial Estado palestino - que entraria em conflito direto com Israel, já que os dois lados disputam Jerusalém - e os assentamentos judaicos na presentes na Cisjordânia.
Já o Hamas, movimento que controla a faixa de Gaza, disse ontem que só concorda com o reconhecimento do novo Estado caso os acordos já obtidos entre palestinos e israelenses fossem rompidos, renegando a existência do Estado hebreu.
Também deverá ser abordado na assembleia de quarta-feira é a forma como o presidente sírio Bashar Assad conduz o conflito no país. Deverá ser cobrado o fim dos confrontos e a aplicação de medidas democráticas. Outra preocupação é com a situação no Haiti. Desde janeiro de 2010, quando houve o terremoto que devastou o país, há esforços para sua reconstrução.
Encontros
Hoje, Dilma Roussef, que chegou ontem a Nova York, irá se encontrar com Michelle Bachellet, ex-presidente do Chile e chefe da agência ONU Mulher, para discutir esforços conjuntos incentivem a uma maior participação das mulheres em ações políticas e institucionais no mundo.
Também nesta segunda-feira, a presidente participa de reunião sobre doenças crônicas não transmissíveis, para discutir a prevenção e o controle no mundo, com foco nos desafios sociais e econômicos.
Já amanhã, Dilma Rousseff encontra-se com Barack Obama para dar continuidade a uma série de assuntos discutidos em março, quando o líder americano esteve no Brasil.
Com o francês Nicolas Sarkozy, Dilma conversará sobre a crise econômica mundial, os impactos dos conflitos nos países muçulmanos, além de questões sociais envolvendo a saúde e o combate à pobreza.
Ela ainda participará dos debates do grupo denominado Governo Aberto, que engloba 60 países que se comprometem a discutir e executar políticas públicas transparentes.
Na quinta-feira, a presidente retorna ao Brasil, mas antes irá dialogar com chefes de governo sobre uma das principais preocupações da comunidade internacional - a segurança nuclear.
Pioneira
Com o discurso de Dilma, na próxima quarta-feira, a presidente brasileira será a primeira mulher a abrir uma assembleia geral da ONU.
Na mesma semana, ela será a capa da próxima edição da revista "Newsweek" internacional e da edição nacional americana. Com o título "Don´t mess with Dilma" - em tradução literal "Não mexa com a Dilma" -, a reportagem aborda o governo, a história política e também a vida pessoal da presidente.
Reconhecimento
130 países, aproximadamente, veem a Palestina como Estado independente. O número supera o mínimo necessário para que o território seja reconhecido pela Assembleia Geral da ONU.

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